quinta-feira, setembro 22, 2005
RONALDO

Terceiro filho do casal Nélio Nazário de Lima, empregado da companhia telefônica TELERJ, e Sônia dos Santos Barata. Ele deve o seu nome ao Dr. Ronaldo Valente que assistiu o parto de sua mãe .
Chamando-se Ronaldo Luiz, logo é apelidado carinhosamente pelos irmãos Nelinho e Ione de "Dadado". Com cabelos encaracolados e sempre sorridente, “Dadado” é o mais vivaz das crianças da Rua General César Obino, onde no número 114 foi construída a casa da família Nazário de Lima.
Muito cedo começa a andar, brincar e seguir o ritmo da música que envolve a vida no Rio de Janeiro. Mas o pequeno Ronaldo não fala. Pronuncia as primeiras palavras com quase três anos, quando já é um espectador fascinado das “peladas” entre amigos que é um ritual nas festas de seu pai Nélio.
A escola chega muito cedo, “perturbando” os dias de sol e golos, crianças e partidas com os pés descalços no quintal de casa.
Livros e cadernos parecem um desrespeito ao pensamento fixo: ser igual ao Zico, o seu ídolo. Melhor correr atrás da bola nas poeiras de Bento Ribeiro, até chegar ao primeiro time: o Tennis Clube Valqueire.
Ronaldo ainda é pequeno como também é pequeno seu primeiro futebol: o futebol de salão.
No começo tenta ser goleiro, mas sempre reserva. Depois joga no ataque. Se diverte. Marca.
Numa partida do campeonato carioca dente-de-leite, com o pobre Valqueire, derrota o rico Vasco da Gama.
Na arquibancada o observa um olheiro do Social Ramos, que o transfere apesar das resistências da mãe Sonia.Duas horas de viagem em um ônibus de Bento Ribeiro: duas vezes por semana, uma grande mudança.
No entanto ainda joga futsal no Social Ramos. Mas o rapaz se sente preparado para a aventura do futebol de campo. Um dia decide fazer um teste no Flamengo. Não o notam. É descartado. E durante a volta pra casa, entristecido pela desilusão, dentro do ônibus lotado, roubam o seu relógio que tinha comprado com seu primeiro salário.
Que dia! Mesmo por causa do Flamengo!
Ronaldo supera a desilusão redobrando o entusiasmo. Aos treze anos joga futebol de salão com o Social Ramos e futebol de campo com o São Cristóvão, tornando-se artilheiro nos respectivos campeonatos. Depois dedica-se somente ao São Cristóvão.
Sabendo jogar, o rapaz que não dá sossego à mãe. Ela o queria com os livros nas mãos, e ele sempre com a bola nos pés. É um talento: intui o treinador do Brasil sub-17, e os procuradores Reinaldo Pitta e Alexandre Martins (que conseguem o seu passe por 7500 dólares).Ronaldo se presenteia com o tênis tão sonhado: um Nike, e se torna protagonista da seleção juvenil no campeonato sul-americano na Colômbia.
Os procuradores o promovem e encontram uma colocação melhor: ao preço de 50.000 dólares é transferido ao Cruzeiro, de Belo Horizonte, um clube importante de uma cidade industrial do estado de Minas Gerais, centro-oeste do Brasil.
Longe das praias do Rio, aprende o que é a vida de um jogador profissional. É feliz, sorri com os dentões simpáticos e é adoptado pelos veteranos do time. Nos momentos de saudade de seus pais, mesmo que separados, fazem-lhe companhia e seguem as suas apresentações no campeonato Mineiro e na Copa do Brasil. Os primeiros passos da carreira são rápidos e impressionantes. Os jornalistas locais o descrevem como puro talento e já em Dezembro de 1993, com apenas dezessete anos, Ronaldo realiza seu grande sonho: é convocado para a seleção principal, a mítica Seleção Canarinho e consegue um verdadeiro salário, que utiliza para comprar um Gol, (mesmo sem a idade pra carteira de motorista) e permite á sua mãe trocar de casa, deixando Bento Ribeiro.
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