sexta-feira, setembro 02, 2005
SAMUEL MORSE

Foi ali que se começaram a definir claramente aqueles que foram os interesses dominantes da sua vida: a pintura e a electricidade. Esta última muito o atraía, mas apenas como estudo.
Não se propunha seguir a carreira de físico pesquisador, porque esse campo, na época, tinha reduzidas aplicações práticas. Quanto à arte, estava seguro de si: sabia manejar o lápis e o pincel, seria pintor.
Assim, em 1811, partiu em companhia do seu amigo e mestre Washington Allston para a Inglaterra, onde se tornou discípulo de Benjamin West, célebre pintor americano, que residia em Londres e o acolheu de boa vontade. Deve ter aproveitado bem as lições do compatriota, pois, em 13 de outubro do mesmo ano, obtevea medalha de ouro da Sociedade de Arte com a obra Morte de Hércules.
Depois de um breve período de aperfeiçoamento, em 1815, considerou-se apto a trabalhar sozinho; retornou à sua terra, para iniciar a carreira de desenhista, dura e difícil, que o obrigou a viajar por muitas terras em busca de clientes.
Contudo, não se interessava apenas pela arte. Durante esse tempo, inventou uma bomba a pressão adaptada para os serviços contra incêndios. Enquanto o pincel corria na tela, retratando pessoas modestas a preços modestos, o cérebro pensava mais ambiciosamente.
Em Boston conheceu a sua futura esposa, Lucy Walker. Meses depois, casaram-se, indo morar em Charleston e, depois, em New Haven. Foram os anos amargos da sua vida: embora continuasse a trabalhar incansavelmente, não conseguia obter a segurança material para a mulher e os três filhos, chegando até a conjecturar uma impossível carreira diplomática no México.
Finalmente, o sucesso: obteve o encargo de retratar o primeiro cliente famoso, o Marquês de La Fayette. Era o início de sua fortuna, atingida tarde demais:enquanto se afastava de casa, a mulher morria do coração sem que ele a pudesse ver.
Seu êxito aumentava dia a dia. O quadro de La Fayette havia dado fama (hoje é conservado, juntamente com outra obra célebre, A Velha Casa dos Representantes,na Galeria Corcoran, de Washington), tornando-o muito requisitado para pintar retratos.
Começou a fazer conferências; fundou a Academia Nacional de Desenho,da qual foi o primeiro presidente; juntamente com John William Drapere, introduziu o processo de impressão Daguerre nos Estados Unidos. Todas essas actividades permitiram acumular o dinheiro que tanto lhe serviria durante os anos em que se dedicou à sua célebre invenção.
Em 1829, retornou à Europa. Depois de haver visitado as mais famosas pinacotecas, estabeleceu-se em Paris, onde se tornou um dos membros mais activos da colônia de artistas americanos. Um dia, a conversa amistosa recaiu sobre os meios de comunicação. Alguém exprimiu o desejo de que existisse algo veloz para enviar mensagens urgentes.
Morse sugeriu:
"Por que não a electricidade? Viaja mais rápido que o som".
Naquela época, o meio mais rápido de comunicação ainda era praticamente o cavalo. Pode-se imaginar, por exemplo, quanto tempo levava uma notícia para ir de Moscovo a Paris.
A necessidade de sistemas mais eficientes era bastante sentida num mundo fervilhante, no limiar da Revolução Industrial, com o consumo,a produção e o comércio a sofrer rápida evolução.A frase, dita na conversa com os amigos, atormentou o pintor que, a bordo do Sully, atravessava o Atlântico, de volta à América. O capitão do navio e os passageiros discutiam com Morse os detalhes do assunto. A transmissão de palavras a distância tornara-se idéia fixa. Nos seus rascunhos não mais se encontravam retratos ou esboços de figuras e paisagens, mas sim esquemas do telégrafo. O primeiro esquema era um dispositivo igual ao brinquedo. Morse compreendeu que aquela idéia primitiva não convenceria ninguém e continuou a pesquisar, para desenvolver o seu projeto e torná-lo comercialmente interessante.E, nesse processo, passou doze anos.De início, continuou a executar retratos, para recolher o dinheiro que empregaria no seu sustento e nas suas experiências; depois, retirou-se para Nova York, vivendo num único quarto, descuidando-se de alimento e vestuário.
Naquela época Morse foi atingido por uma das mais cruéis decepções da sua vida. O governo do seu país abriu um concurso entre os artistas dos Estados Unidos para a decoração da rotunda do Capitólio. Como pintor, esperava ser um dos escolhidos, mas seu nome foi afastado sob suspeita de ser o autor de artigos atacando o Comitê do Congresso encarregado da escolha dos artistas. Foi a partir de então que Morse decidiu dedicar-se unicamente ao trabalho de inventor.Para não pedir empréstimos, vendeu tudo que possuía. O artista, outrora elegante e popular, tornou-se um inventor mal visto, considerado louco por haver trocado uma carreira promissora por um sonho impossível. Mas ele superava todos os obstáculos: em 1835, aceitou o cargo de professor de história da arte e de desenho na Universidade de Nova York, para poder continuar com as suas experiências.Finalmente, no dia 2 de Setembro de 1837, apresentou a um grupo de amigos a sua criação: um circuito telegráfico com o comprimento de 420 metros. Entre os que assistiram à demonstração estava Alfred Vail, rico proprietário de ferrarias, dotado de um notável tino comercial. Ofereceu a Morse o patrocínio do lançamento da invenção, para a qual previa um grande futuro.
Colocou à sua disposição dinheiro e locais nas ferrarias, para que o inventor pudesse prosseguiras experiências. Morse aceitou e requereu imediatamente a patente para a sua invenção.Em 24 de janeiro de 1838, demonstrou o seu aparelho na Universidade de Nova York, transmitindo a primeira mensagem: "Atenção, Universo!" Em fevereiro do mesmo ano, repetiu-a diante do Congresso, onde teve um frio acolhimento. Como a América parecia não aceitar o telégrafo, partiu para a Europa em busca de melhor sorte;mas, no Velho Continente, o desinteresse foi idêntico. Na Inglaterra, dois inventores, Wheatstone e Cooke, já haviam criado qualquer coisa semelhante;na França, foi-lhe concedida a patente, mas sem qualquer compensação financeira; na Rússia, o czar mostrou-se absolutamente indiferente.Enquanto isso, Morse não perdia tempo. Sabia que não bastava ter realizado o esquema inicial; era necessário construir qualquer coisa capaz de transmitir a distâncias bastante grandes. Por isso, trabalhou na idéia que deveria decretar a possibilidade de aplicação do seu princípio.A primeira idéia havia sido a de utilizar sinais eléctricos, a segunda, a invenção do código que leva o seu nome. A terceira foi a de adoptar um sistema de relé para transmitir o sinal através de grandes distâncias. Um sinal eléctrico atenua-se se é transmitido por um fio demasiado longo. Morse pensou então em utilizá-lo, antes que ficasse muito fraco, para accionar um relé que fizesse repartir um novo sinal potente num novo trecho da linha.
Ao retomar à América, estava reduzido à miséria. Somente em 1843 obteve o primeiro levantamento de verba do congresso: 30.000 dolares. O financiamento foi aprovado com maioria de apenas seis votos. A 24 de maio de 1844 inaugurou-se a primeira linha experimental, entre Washington e Baltimore (64 km de distância), com a transmissão e recepção da frase: "What hath God wrough" (Eis o que Deus realizou).No entanto, os contractos tiveram de aguardar enquanto se defrontava com uma série de acusações e processos para defender os seus direitos. O testemunho do capitão do Sully e dos passageiros convenceram finalmente os tribunais e, já idoso, pôde colher os frutos do persistente labor. Então, rico e famoso, casou-se com Sarah Griswold. Obteve honras de todos os países. Em qualquer parte via o sucesso das suas invenções, do telégrafo de cabos transatlânticos ao uso universal do seu alfabeto em código.
A sua morte, ocorrida em 1872, foi serena.
Um médico auscultava-lhe o coração, depois de ter sido chamado por causa de uma leve indisposição.
Apoiando o estetoscópiono seu peito, disse, para animá-lo:
"Assim telegrafam os médicos".
"Bom", respondeu Morse, e foi aquela a última palavra que pronunciou.
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Comentários:
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confesso que me mete impressão. Não prcebo como é que eles distinguem o fim duma palavra e o inicio da outra! é tudo igual :P
é pelos espaços.....mas eu também não percebo nada embora lá no exèrcito visse os colegas a operar a linguagem...
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