sábado, novembro 19, 2005
FRANZ SCHUBERT


Décimo-segundo filho de Franz Theodor Schubert e Elizabeth Vietz, o pequeno Franz levou uma infância bem tranqüila.
O pai, de origem camponesa, era professor primário, e seu filho homônimo estaria determinado a serguir-lhe a carreira se não fosse por um detalhe: sua bela voz.
Fez um teste e, aos onze anos, foi admitido no Stadtkonvikt de Viena como cantor.
Um dos examinadores era o compositor italiano Antonio Salieri, famoso por sua suposta rivalidade com Mozart.
Franz ficou no internato de 1808 a 1813.
Era um aluno taciturno, melancólico até, mas sempre activo em termos musicais.
Além de conhecer amigos que conservaria por toda a vida, Franz obteve uma cultura musical consideravelmente sólida - e compôs bastante, febrilmente.
Sua primeira obra acabada data de 1810: é uma fantasia para piano a quatro mãos, em doze movimentos.
Com a morte da mãe, em 1813, Franz finalmente cedeu à pressão paterna e inscreveu-se como aluno da escola normal.
Num ano já tinha seu magistério concluído e poderia, como o pai, ser professor primário.
Mas Franz tinha 17 anos, muitos sonhos na cabeça e, principalmente, muitas obras em seu catálogo: uma sinfonia, vários quartetos, muitas canções, uma missa e até uma ópera.
Era inevitável seguir o coração e investir em sua carreira de músico.
Mesmo assim, Franz assumiu seu posto de professor primário, por dois anos, até abandoná-lo definitivamente em 1816.
Dava aulas mas não parava de compor: são 193 composições em dois anos, em todos os gêneros possíveis.
Foi uma época produtiva, mas nada isenta de preocupações materiais. Suas obras continuavam sendo recusadas pela maioria dos editores e sucesso de público era algo distante. Sem nenhum dinheiro ou propriedade - nem mesmo o próprio piano - Schubert vivia de eventuais publicações, todas pouco rentáveis, e de empregos mais eventuais ainda, que costumeiramente eram perdidos rápido por conta de seu temperamento.
Em 1827, Schubert chocou-se muito com a morte de Beethoven, por quem nutria um estranho sentimento misto de admiração e temor. A última sinfonia, a Nona, em dó maior, é também conhecida como a Grande. O apelido é justíssimo. Certamente esta é a maior - e mais longa - obra sinfônica de Schubert. A Grande tem clima diverso e mais complexo que o da Inacabada: não mais drama, mas movimento e potência. Juntamente com a Júpiter de Mozart e com a Nona de Beethoven, a Nona de Schubert abre o caminho para as futuras sinfonias de Bruckner e Mahler.
A Grande é um fecho monumental para o impressionante legado de Schubert. Legado este que se torna mais impressionante ainda ao pensarmos na idade em que o compositor morreu: apenas 31 anos, no dia 19 de Novembro de 1828.