sábado, dezembro 17, 2005

 

LOPES GRAÇA


Posted by Picasa A 17 de Dezembro de 1906, não longe da capital, em Tomar, nasce Fernando Lopes-Graça.
Sobre a sua pequena cidade natal escreverá que é onde «o monumento completa a paisagem; a paisagem é o quadro digno do monumento; e a luz é o elemento transfigurador e glorificador da união quase consubstancial da Natureza com a Arte.»
Cresce no seio de uma família da pequena burguesia.

O pai toma de trespasse o hotel que fora do padrinho.
Entre os trastes que mobilam a casa, um velho piano.
A brincar, o pequeno Fernando matraqueia o teclado.
É o acaso que se lhe proporciona estudar música a sério.
O tenente Aboim é hóspede no hotel paterno.
Entusiasmado com as habilidades da criança, insiste para que tenha lições com a filha do seu general.
A completar este cenário, aristocratas e republicanos digladiam-se entre os sonidos da Serenata Tomarense e a Banda do Regimento.

A populaça assiste à refrega entre as duas bandas rivais: Gualdim Pais, a «Música do pau teso», e a Nabantina, a «Música do cu aberto»; assim chamadas devido a estranhos ornamentos dos seus bonés.
A propósito do meio musical em que cresceu escreverá com humor Lopes-Graça: « Eu até entrei na música pelas mãos da tropa, e não pelas da Igreja ou da Nobreza, como nos belos tempos em que o músico era ungido do Senhor ou de Sais!».

Apesar de tudo, num café de Tomar, através de um radio-receptor, ouve pela primeira vez "O Mar" de Debussy, dirigido por Toscanini.
Descoberta decisiva nos caminhos futuros da sua formação e linguagem musical.
Aos 14 anos é pianista no Cine-Teatro de Tomar.

Contra o que é habitual toca Debussy e compositores russos contemporâneos, a solo ou integrado no quinteto que formou.
Em 1923 ingressa no Curso Superior do Conservatório de Lisboa.

São seus professores: Adriano Meira (Curso Superior de Piano), Tomás Borba (Composição) e Luís de Freitas Branco (Ciências Musicais).
Em 1927 inscreve-se na Aula de Virtuosidade de um antigo aluno de Liszt, José Viana da Mota, seu mestre e amigo.
Matricula-se no ano seguinte na Faculdade de Letras de Lisboa em Ciências Históricas e Filosóficas.

Apresenta-se pela primeira vez como compositor interpretando ele próprio as Variações sobre um tema popular português (1927) para piano solo.
Funda em Tomar o semanário republicano «A Acção».
Em 1929, com Pedro Prado, publica no Conservatório de Lisboa a revista «Música».
Em 1931 abandona a Faculdade de Letras de Lisboa como protesto contra certas medidas coercivas tomadas pelo Conselho Escolar durante uma greve académica.

Termina o Curso Superior de Composição com a mais alta distinção.
Obtém a 1ª classificação para o lugar de professor de piano e solfejo do Conservatório.
Não chega a tomar posse por motivos políticos.
É preso, desterrado para Alpiarça e escreve: «Revolução e Liberdade são sinónimos, são equivalentes. São leis imutáveis gravadas na face do Cosmo, eternas e divinas como ele.»

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