sexta-feira, julho 14, 2006
ANTON PAVLOVITCH TCHEKHOV


Era filho de Pavel Egorovic Cechov e de Evgenija Jakovlevna.
Teve quatro irmãos, Aleksandr (1855), Nikolaj (1858), mais velhos, Ivan (1861), Michail (1865) e uma irmã, Marija (1863).
Uma segunda irmã nascida em 1869, Evgenija morreu com dois anos de idade.
As origens da família são humildes.
O avô de Cechov, Egor Cechov, foi um servo que comprou a sua liberdade do Kreopostnoje Pravo. Pavel tinha então dezesseis anos.
Pavel Cechov fez um estágio de três anos num comerciante.
Tornou-se depois servente e contabilista.
Em 1857 tornou-se dono de uma mercearia.
Comprou por um bom preço mas num momento inoportuno.
A Guerra da Criméia tinha sido perdida e como consequência tinha sido imposta a desmilitarização do Mar Negro, pelo que os marinheiros e militares que tinham sido os principais clientes até então, tinham deixado estas paragens.
A mercearia do pai tinha um pequeno bar, tolerado pelas autoridades.
Numa carta de 1889 ao seu irmão Aleksandr, Anton Cechov resume a sua infância na seguinte frase, plena de ironia: "Filho de um servo, ... servente de loja, cantor na igreja, estudante do liceu e da Universidade, educado para a reverência de superiores e para beijos de mão, para se curvar perante os pensamentos alheios, para a gratidão por qualquer pequeno pedaço de pão, muitas vezes sovado, indo à escola sem galochas".
O pai, marcado pelo estigma de um ex-servo, educou os filhos de forma autocrática, habituando-os a obedecer.
Deu-lhes no entanto o acesso à educação.
Possibilitou aos filhos a frequência de um dos melhores liceus da cidade.
Tiveram aulas de música e francês.
Anton foi acólito.
No entanto, pouco lhe ficou da inspiração religiosa (que a propósito era muito marcante no pai, dirigente do coro da Igreja).
Como Anton disse a este respeito: "o coração está como que varrido".
Na escola, Cechov não foi um bom aluno. Chegou a reprovar. Um padre que lhe deu aulas de religião chamava-o com menosprezo de "Cech" onte (cech significa servo).
A mensagem: tu não passas de filho de servo. Mais tarde, quando publicava os primeiros contos em jornais, Cechov usou o pseudónimo "Antosa Cechonte" com ironia.
A partir dos seus treze anos, ficou fascinado pelo teatro da cidade, que dado o pouco dinheiro que tinha não frequentava tantas vezes como queria. Como era proibida a entrada a crianças não acompanhadas de adultos e sem a autorização do liceu, chegou a "disfarçar-se" de adulto, usando uma barba postiça.