sexta-feira, outubro 20, 2006
RIMBAUD


Nesta pacata cidadezinha, repleta de casas com telhados angulares, onde tranquilos burgueses contemplam os meandros do rio Meuse, Vitalie Cuif, de origem camponesa e filha de proprietários rurais, conhece o capitão Fréderic Rimbaud.
Casam-se em 1853 tendo como primeiro filho Fréderic, que acabará como motorista de ônibus no vilarejo vizinho de Attigny.
Após o nascimento de Arthur, o casal viverá praticamente separado, pois o pai apenas regressará ao lar raríssimas vezes.
O capitão de infantaria Rimbaud desde cedo havia se engajado no exército como soldado e pouco a pouco galgara diversos escalões.
Participara da conquista da Argélia tornando-se posteriormente oficial de administração em Sebdu, na região de Orã.
Culto e letrado, deixou várias obras (que se perderam), como, por exemplo, traduções do Corão, discursos militares, tratados de estratégia, etc..
Com a capitulação de Abdel-Kader, retorna à França e seu batalhão fica estacionado nas Ardenas. Pouco após o casamento, deixa sua mulher Vitalie e volta à vida militar em Lyon.
No outono de 1854 permanece alguns dias em Charleville para acompanhar o nascimento de Arthur, retornando novamente a seu batalhão.
No fim de 1856 recebe autorização para passar algum tempo com a família.
Neste período nascem Vitalie, em 1858, que viverá apenas dezessete anos, e Isabelle, em 1860, que se tornará grande amiga do poeta e o assistirá em seus derradeiros dias.
O capitão Rimbaud percorre com sua unidade a Alsácia e suas tentativas de retorno à vida familiar se revelarão infrutíferas, pois Vitalie tornara-se autoritária e insuportável.
Após infindáveis discussões com a mulher, volta definitivamente a seu regimento e nunca mais de ouvirá falar nele.